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Duvido e faço pouco!

Publicado em 05/06/2013 às 14:37
  Duvido e faço pouco!

Esta era uma expressão bastante usada nos anos cinqüenta, quando uma pessoa queria deixar claro à outra que duvidava de sua coragem para tomar determinada atitude ou decisão. Só fui lembrar dela porque lembrei de um amigo meu, que a usava muito, e dizia ser seu principal meio de conquista junto às mulheres.  Algum tempo atrás o encontrei, e por ter ouvido esta expressão naquele final de semana, lembrei de suas histórias, ou estórias, sei lá. O certo é que ele era realmente impagável! Contou-me certa vez, que havia encontrado a mulher ideal, linda, sensacional, fora de série, um peixão, como ele dizia. Que ela havia chamado sua atenção no primeiro contato mesmo que não pessoal, e que logo havia sentido que ela era uma senhora mulher! Perguntei como ela era, resolvendo dar corda ao danado, e não deu outra.

“Sabe aquelas mulheres que param o trânsito em qualquer estrada, fecham o comércio, a indústria, a bolsa de valores, param tudo? Até greve? Pois ela é assim, rapaz! É demais! Demais! Demais!”

Comecei a ficar também entusiasmado por ela, ora!  Afinal de contas, a mulher devia ser demais mesmo!

E ele continuou: “Rapaz, que boca, que rosto, que corpo, cara...cada curva que vou te contar...nossa cara, fiquei maluco!”

E eu dei mais corda... “ E ela sabe disso tudo?” Respondeu: “ Eu disse na hora tudo ou quase tudo que pensava e imaginei...”

Fiquei imaginando a cara daquela mulher, porque esse meu amigo sempre foi de dizer, mesmo, o que pensava. E perguntei : “E ela, o que respondeu?”

“Ah... ela me olhou e disse que sim, era mesmo tudo isso!”

E eu quis saber: “E você? Ficou curioso, claro!” “Eu ? Eu só disse pra ela...Duvido e faço pouco!”

Falei que ele era maluco, que depois de tudo que havia dito a ela e ela topado, ele dizia aquilo! “Nada meu! Segredos da conquista! Meu amigo, você precisa aprender a conhecer as mulheres, disse ele. Olha aqui ó!...Uma mulher daquelas, não se conquista! A gente deve deixar que ela  conquiste a gente! Cara, nem sabe o quanto é bom!”

Olhei aquele mala, e me calei! Pensando bem, ele até tem razão. Não me perguntem como terminou essa estória de paixão e amor à primeira vista, ou primeira visita, sei lá!

Mas sei que depois que ouvi de novo a frase, ficou martelando na minha cabeça o ditado, ou o desafio. Por isso, duvido e faço pouco!

Porquê? Do quê? Sei lá!

Antonio Jorge Rettenmaier, Cronista, Escritor e Palestrante. Esta crônica está em mais de cem jornais impressos e eletrônicos no Brasil e exterior.  Contatos, ajrs010@gmail.com -

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