O ano de 2020, que é bom que se diga, ano eleitoral, onde a população deverá ser consultada para eleger os seus representantes tanto no Legislativo como no Executivo Municipal, mal começou e já na sua primeira seção do ano, o presidente Boaventura Motta, deverá enfrentar mais um caso que deverá administrar com todo cuidado e responsabilidade que um assunto desta natureza requer:
A representação protocolada ontem, sob nº 017/2020, às 11h28min, solicitando a Cassação do Mandato Eletivo por ‘quebra de decoro parlamentar’ do parlamentar Vanderlei dos Santos, conhecido como Wando da Garagem (PSDB).
A representação vem assinada por duas servidoras municipais que relatam que foram ameaçadas e agredidas verbalmente pelo vereador em seu local de trabalho no dia 19 de dezembro no Posto de Atendimento Gaúcha.
Em recente matéria divulgada pelo nosso jornal, o vereador nega veementemente que agrediu ninguém. “Primeiramente, gostaria de esclarecer que recebi o comunicado de um pai desesperado com sua filha passando muito mal na Unidade Básica de Saúde - Gaúcha, onde me foi relatado que a médica responsável pela unidade - em tese, havia se omitido ao atendimento, sendo que, a paciente teria sido instruída a procurar o Pronto atendimento Municipal”, diz o vereador.
O fato é que, conforme relato das funcionárias do Posto, a situação foi muito constrangedora e para acalmar o mesmo tiveram que chamar a Polícia Militar e registrar um Boletim de Ocorrência contra o vereador.
Entenda o caso:
Conforme o relato nessa representação, no dia 19 de dezembro de 2019, por volta das 09h27min, após terminar de atender os pacientes agendados no período matutino, a representante (médica) realizou uma ligação telefônica para sua supervisora do Programa Mais Médico para o Brasil que durou aproximadamente uns 20 (vinte) minutos.
Durante a chamada telefônica, a auxiliar de enfermagem Clair de Lara Boles entrou no consultório médico, e ao ver que a representante se encontrava em uma ligação – fez sinal para procurá-la após a chamada.
Encerrada a ligação telefônica, a médica (ora representante) procurou a enfermeira Clair, que lhe informou que havia outra paciente aguardando, porém, que esta não pertencia à circunscrição (área) de atendimento da referida (ESF) Estratégia de Saúde Familiar.
Mesmo assim, a médica disse afirmativamente que atenderia isto porque não possuía nenhum outro paciente aguardando, bem como não prejudicaria o atendimento de nenhum paciente.
Na sequência a auxiliar de enfermagem Clair, passou a atender a paciente em questão, segundo seu relato, por volta das 9h35min e, segundo ela, a paciente apresentava um quadro gripal e temperatura axilar de 37,5ºC, sendo classificada como quadro “azul” pelo sistema internacional que classifica por cor o risco de cada paciente após sua triagem.
Pela classificação “azul”, o paciente com menor risco (não urgente) pode aguardar até 240 minutos, ou ser transferido para outro serviço se necessário.
No entanto, ao comunicar à paciente e seu acompanhante sobre o atendimento, estes rejeitaram o diagnóstico e a consulta, e disseram que iriam resolver a questão de outra forma.
E, pelo visto, a outra forma que eles usaram foi visitar o vereador Wando e relatar o caso como “omissão de socorro”.
O vereador, diante do relato, visitou o Posto de Saúde e segundo a médica, sem ao menos ouvi-la sobre a suposta situação de omissão de socorro, o vereador visivelmente descontrolado adentrou perguntando quem era a médica.
“Eu me apresentei como a médica da Unidade e ele imediatamente iniciou um discurso em tom elevado no meio da recepção alegando que eu havia cometido o crime de omissão de socorro”, salientando que em momento algum ele solicitou que conversássemos em privado para que ela pudesse dar a sua versão sobre os fatos. “Simultaneamente o representado começou a gritar e a dizer que os demais médicos da cidade também realizavam um serviço incompetente e que isso iria acabar”.
Lembram as representadas que o constrangimento público a que foram submetidas, aliado às ameaças explícitas ao exercício de sua profissão, denotam a falta de compostura do representado. “O relevante exercício da vereança, exige civilidade, serenidade e respeito por qualquer cidadão. Não pode o vereador, a pretexto de exercer uma suposta ‘fiscalização’, extrapolar de suas funções e perturbar a tranquilidade e o sossego do trabalho, muito menos ofender e intimidar os agentes da saúde pública” relata.
Vale a pena assistirem a Primeira Seção Legislativa do ano, onde, é possível que essa representação seja colocada em plenário para Abertura de Um Processo de Investigação. Digo possível, o Departamento Jurídico da Câmara deverá dar o seu parecer e o mesmo passar pelas Comissões, que poderá arquivar o caso ou submetê-lo ao plenário para a sua aprovação...

























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