
Chamada de Ombo'éva – “Quem ensina” em guarani –, a construção é fruto de uma chamada pública do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) que buscou iniciativas capazes de aplicar o conceito de edifícios que produzem parte da energia necessária para o próprio consumo. Na época, em 2020, além da UNILA, foram selecionados projetos da Universidade de Brasília (UnB), do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) e da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). “O fato de termos sido contemplados entre os quatro vencedores do edital nos trouxe bastante alegria, por sermos uma universidade bastante jovem em relação às demais”, comemora Katia Regina Garcia Punhagui, pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação e uma das idealizadoras do projeto.

Processo
Idealizado por um grupo de professores e alunos, o projeto do edifício foi selecionado por meio do Edital Procel Edifica Nzeb Brasil. Com a aprovação, a UNILA recebeu, em 2020, um aporte financeiro de R$ 994 mil oriundos da então Eletrobras, instituição cujas funções foram atribuídas à ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional S.A.), após a privatização.

“Além de toda a parte administrativa que a Prefeitura teve que assumir, havia também a necessidade de ter os projetos executivos”, conta Ivan Dario Gomez Araujo, prefeito universitário. “Um projeto submetido para um edital é mais uma pesquisa do que um projeto executivo pronto para construir. Para poder executar, os professores tiveram que passar seus direitos autorais para a UNILA, para que os nossos engenheiros e arquitetos pudessem concretizar a ideia e definir as responsabilidades técnicas”, complementa.
Carbono e bioclima

Outro diferencial do edifício é a observância aos fatores bioclimáticos. Dentre as soluções adotadas neste quesito, está a orientação para o Norte. “A gente observa que há aberturas superiores, que servem para ventilação higiênica. Por isso, quando não quisermos ventilar a parte inferior, poderemos deixá-la fechada e, se quisermos renovar o ar, abrimos só a parte superior”, ilustrou o docente Egon Vettorazzi, também um dos idealizadores do projeto. “As aberturas superiores também servem para ventilação por efeito chaminé, ou seja, todo o ar quente das pessoas e dos equipamentos sobe e sai por cima”, completa.
A parte superior do prédio apresenta ainda uma grande abertura, voltada ao Sul, que permite a iluminação natural, mas com menor radiação solar. Além disso, Ombo'éva terá um pergolado para a colocação de vegetação cujas folhas caem no inverno. Com isso, haverá sombreamento no verão, época de altas temperaturas, e maior incidência de sol no inverno.
População
A previsão dos idealizadores é que
todas essas soluções tecnológicas possam, futuramente, ser democratizadas e
utilizadas pela população, atendendo a uma das premissas do edital do Procel.
Gerente de Conformidade Legal e Marketing na Diretoria de Programas de Governo
da ENBPar, Ana Cláudia Leite Mesquita Garcia esclarece que o foco da iniciativa
é que os conceitos adotados em edificações como o Ombo'éva possam ser
utilizados nas construções em geral, visando à eficiência energética. “O que
vai para a população são os conceitos do que pode ser utilizado em uma
construção para que se consiga alcançar a eficiência energética. É ter um
resultado melhor, consumindo menos energia elétrica”, sintetiza.
Em sua avaliação, na atualidade, em que muito se fala de transição energética,
de fontes renováveis de energia e de redução de consumo, o Nzeb é um conceito
que deve ser levado à população. Análise semelhante é feita por Paulo Gonçalves
Cerqueira, da Coordenação de Programas de Governo da ENBPar. Segundo ele, não
necessariamente se deve gerar mais energia, mas sim criar situações em que haja
a otimização do seu uso. “Principalmente para o nosso país, onde você tem o
potencial hidráulico [usinas hidrelétricas], toda vez que você utilizar energia
solar ou energia eólica, você vai estar armazenando energia nos reservatórios.
Por isso, essa [construções Nzeb] é uma forma muito boa de conservar energia.”
Outro objetivo de projetos como o Ombo'éva é baratear os custos desse tipo de
edificação. Conforme Cerqueira, ao se criar algo inovador, é comum que os
valores sejam mais elevados, e é justamente neste ponto que o papel da
universidade é fundamental. “Tudo o que se cria tem um preço significativo, mas
a tendência é que à medida que o projeto se amplia, seja um valor bem reduzido”,
argumentou.
Com previsão para entrar em funcionamento
nos próximos meses, o Ombo'éva abrigará inicialmente o Laboratório de Conforto
Térmico e Eficiência Energética. Além disso, serão oferecidas palestras e
atividades de formação e de divulgação científica pelo Grupo de Pesquisa
Sustentabilidade e Inovação (Sinova) e Grupo de Pesquisa em Energia e
Sustentabilidade Energética (Gpense). O local também abrigará o Núcleo de
Inovação Tecnológica (NIT) da UNILA.









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