Educação

Pesquisa identifica sinais de sofrimento psíquico entre policiais federais

Publicado em 26/10/2026 às 07:22
Pesquisa identifica sinais de sofrimento psíquico entre policiais federais

Da Assessoria - Estudo com 146 servidores da Polícia Federal em Curitiba aponta dificuldades de sono, tensão e diferenças de gênero na percepção da saúde mental e do ambiente de trabalho

ornadas irregulares, exposição a situações de risco e pressão constante fazem parte do cotidiano da Polícia Federal (PF). Uma pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem do Setor de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná (UFPR) investigou fatores psicossociais relacionados ao trabalho da categoria em Curitiba. Foram ouvidos 146 servidores da Superintendência Regional da PF na capital paranaense, e quase metade dos participantes relatou problemas para dormir ou tensão.

O estudo resultou na dissertação de mestrado de Jenira Priscila dos Anjos, orientada pela professora Fernanda Moura D’Almeida Miranda, coordenadora do Observatório Nacional de Saúde Mental e Trabalho. A investigação será apresentada na 17ª Semana Integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão da UFPR. 

Os dados foram coletados entre outubro e novembro de 2025, por meio de um questionário estruturado autoaplicável, adaptado de uma pesquisa de 2021 da professora Tânia Maria de Araújo com Auditores Fiscais do Trabalho da UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana da Bahia). 

De 320 envelopes distribuídos a servidores elegíveis da PF, obteve-se uma amostra voluntária de 146 questionários respondidos majoritariamente por homens, brancos, casados, com média de 48 anos de idade e 18 anos de instituição.

Dados oficiais já indicavam que os transtornos mentais e comportamentais representavam de 26,4% a 30% das licenças médicas em forças policiais. Entretanto, a maioria das pesquisas nacionais sobre a condição psíquica de agentes de segurança pública se concentrava nas polícias militares e civis, além de focar em taxas de prevalência de patologias, sem explorar particularidades da organização laboral ou fatores psicossociais específicos da PF.

A Polícia Federal possui características institucionais que a diferenciam da realidade vivenciada pelas polícias militares e civis. A categoria se dedica à repressão a crimes contra bens e interesses da União, desvio de recursos públicos, corrupção, crimes fazendários, tráfico internacional de entorpecentes, fiscalização de fronteiras, portos e aeroportos, além de serviços específicos como emissão de passaportes e controle de armas.

Segundo o estudo, 68,49% dos servidores ouvidos executam tarefas mistas (internas e de campo) e 30,82% atuam exclusivamente em ambiente interno de escritório, não havendo profissionais dedicados apenas à rua. A maioria dos servidores cumpre 40 horas semanais, não realiza rotinas noturnas fixas, salvo situações excepcionais. Mais de 95% da amostra possui ensino superior completo ou pós-graduação em áreas multidisciplinares como Direito, Ciências Contábeis e Engenharia.

Diferente de muitos órgãos estaduais com serviços de saúde precários ou inexistentes, a Polícia Federal conta com quadros próprios de médicos, psicólogos e assistentes sociais, além de manter o Programa Rosa dos Ventos, que oferece mentoria de carreira e suporte psicológico e psiquiátrico com atendimento 24 horas gratuito e confidencial voltado à prevenção do suicídio. 

Ainda assim, nesta pesquisa, 47,26% relataram dormir mal e 43,15% sentiam tensão e nervosismo constantes, além de 6 policiais federais mencionarem vontade de tirar a própria vida. As mulheres enfrentam índices expressivamente maiores de sofrimento psíquico e desmotivação, o que a autora relaciona à sobrecarga da dupla jornada e ao ambiente historicamente masculinizado das forças de segurança. 

(Continua)

Confira a matéria: https://ciencia.ufpr.br/portal/?p=30078 (copie e cole em caso de falha)

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