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Fúria de Vorcaro por ida para cela comum deve trazer novas delações e escândalos
  Data/Hora: 21.mai.2026 - 5h 37 - Categoria: Brasil  
 
 
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Fonte: Revista Fórum - por Henrique Rodrigues

 

A redoma de vidro que costuma proteger criminosos do colarinho branco do sistema financeiro nacional parece ter se estilhaçado de vez para Daniel Vorcaro. O banqueiro, pivô do monumental escândalo do Banco Master, descobriu da pior maneira que o tratamento VIP no cárcere tem prazo de validade. A sua recente transferência para uma cela comum da Polícia Federal, um espaço individual padrão, classificado por ele como sujo, malcheiroso e desconfortável, detonou uma crise de fúria que promete chacoalhar as estruturas do poder em Brasília e também nos estados.

 

A Fórum apurou que Vorcaro acabou por ligar o sinal de alerta máximo em seus antigos aliados ao entrar no perigoso modo “fui abandonado por todos”. Para bom entendedor da crônica política e policial brasileira, o recado é nítido: se o conforto acabou, o pacto de silêncio também pode ruir.

 

Do “Estado-Maior” ao choque de realidade

A derrocada de Vorcaro até o cárcere padrão contrasta com o roteiro clássico reservado aos poderosos. Quando foi preso pela primeira vez, no final de 2025, a estadia durou meros dias, convertendo-se rapidamente em uma prisão domiciliar confortável, com tornozeleira eletrônica e limite de circulação ao município de São Paulo.

 

Mesmo quando retornou à prisão, as regalias foram mantidas. Ele passou a ocupar uma sala de Estado-Maior na Superintendência da PF, ironicamente, o mesmo espaço onde o ex-presidente Jair Bolsonaro iniciou o cumprimento de sua pena. Um ambiente que, embora privado de liberdade, passava longe do rigor de uma carceragem comum.

 

A mudança de cenário na última semana foi um duro golpe. Em um primeiro momento, Vorcaro tentou usar a precariedade do novo endereço como moeda de troca, fazendo chegar aos seus advogados a queixa de que aquele ambiente era “ruim e inadequado” para que ele continuasse a tecer seu acordo de colaboração premiada de forma “confortável”. A estratégia de vitimização, contudo, não colou. O que se apurou logo em seguida foi a fúria do banqueiro, que agora se vê isolado e disposto a disparar para todos os lados.

 

O elo com Flávio Bolsonaro e o mistério de “Dark Horse”

Oficialmente, a delação premiada de Daniel Vorcaro continua em andamento, sem confirmações de encerramento, aprovação ou rejeição pela Justiça. Mas o mercado político sabe que o cardápio que ele tem a oferecer é explosivo. Sabia-se, até então, que suas primeiras declarações miravam diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

 

Agora, a fúria do isolamento pode dar o tom real de gravidade a episódios que até aqui pareciam bizarros demais para serem explicados. O principal deles é o descabido e inacreditável repasse de R$ 61 milhões para a produção do filme Dark Horse, que a bem da verdade seria de R$ 131 milhões, algo que não se concretizou por conta da primeira prisão do banqueiro. Desde o início, o montante multimilionário despertou profunda desconfiança de investigadores: a dinheirama jamais faria sentido para financiar uma produção classificada por críticos e pelo público como tosca e amadora. Com Vorcaro disposto a detalhar o esquema sem filtros, a expectativa é de que venham à tona os verdadeiros motivos e os reais beneficiários por trás dessa triangulação financeira.

 

Uma delação verdadeiramente comprometida com a realidade detalhará o funcionamento interno do esquema criminoso com o clã Bolsonaro e arrastará novos personagens de peso para o centro do olho do furacão.

 

O rastro dos fundos podres: Cláudio Castro e, talvez, Davi Alcolumbre

Se o núcleo político em Brasília tem motivos para se preocupar, os palácios estaduais e o comando do Congresso Nacional estão em polvorosa. A engrenagem fraudulenta do Banco Master, amplamente destrinchada em investigações e reportagens, como as que a Fórum vem realizando, envolve o bilionário sequestro de poupança de servidores públicos para alimentar “fundos podres”.

 

Duas frentes específicas ganham contornos dramáticos com a possível ampliação da delação de Vorcaro. No caso da Rioprev, no Rio de Janeiro, o fundo de previdência dos servidores fluminenses aportou quase R$ 1 bilhão nos ativos tóxicos do Master. Uma operação dessa magnitude ocorreu com a anuência direta do governador Cláudio Castro (PL), cujas relações com o grupo de Vorcaro entram agora sob forte escrutínio. É notória a relação de subserviência de Castro com a família Bolsonaro, quem realmente comanda o estado.

 

Paralelamente, há o escândalo da Amprev, no Amapá. O fundo previdenciário dos servidores estaduais locais destinou pelo menos R$ 400 milhões para o mesmo ralo financeiro. A autarquia era dirigida por um aliado umbilical do senador Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente do Senado Federal. O então diretor do fundo, Jocildo Silva Lemos, era ninguém menos que o antigo tesoureiro de campanha de Alcolumbre, formalmente indicado por ele para a cadeira de comando da instituição amapaense.

 

O xeque-mata imposto a Daniel Vorcaro ao ser jogado em uma cela comum pode ter sido o gatilho que faltava para fazer desabar o castelo de cartas desse quiprocó. O banqueiro, que outrora ditava as regras do jogo financeiro, e que flertava com o topo do poder político, descobriu o peso do abandono. Furioso, ele agora segura o botão do cronômetro de uma bomba-relógio que ameaça explodir, e implodir, de governadores a candidato a presidente, passando por um apanhado de parlamentares e líderes do Congresso Nacional.

 
 

 

 

 
 
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