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  Homenagem a Chico Buarque  
  Publicado em 18 de Fevereiro de 2020  
 
   
 
 
 
Homenagem a Chico Buarque

Por João Baptista Herkenhoff, Juiz de Direito aposentado (ES) e escritor - Email - jbpherkenhoff@gmail.com

 

O Presidente da República informou que não vai assinar o diploma que confere a Chico Buarque o Prêmio Camões.

 

Ao saber dessa decisão do presidente da República, Chico Buarque ironizou que a ausência da assinatura do presidente valoriza o prêmio.

 

         Traduzindo sua ironia - a assinatura do presidente mancharia a láurea.

 

Daqui a cinquenta anos, o nome do atual presidente apenas figurará na lista dos presidentes porque uma lista dessa natureza não pode omitir nenhum nome.

 

Daqui a mil anos as melodias de Chico Buarque ainda serão cantadas e ele será celebrado como um dos maiores compositores do Brasil.

 

O poder político é passageiro.

O poder das ideias é eterno.

Somente quando o titular de poder político é também portador de ideias - um verdadeiro estadista - sua herança é preservada.

 

Quando o titular do poder político é vazio de pensamento, sua lembrança dura o tempo do seu mandato.

 

Como muito bem escreveu Joaquim Ferreira dos Santos,

"Chico Buarque é a voz que nos resta, a veia que salta, aquele que torna suportável essa noite de mascarados e pigmeus de boulevard.

         Sempre que tira o violão da capa e pega o dicionário de rimas, o país melhora.

 

Há quem prefira escrever a história do Brasil com fuzil, desligar o radar da estrada e azucrinar os golfinhos de Angra com turistas.

 

Chico, armado com a bemol natural sustenida no ar, atira de volta o "luz, quero luz" que cantam os poetas mais delirantes.  
           O Brasil de 2019 é uma pátria-mãe tão distraída que parece ter perdido a noção da hora.

Ao Deus-dará.

 

É um trem de candango, um bando de orangotango, todos com um bom motivo para esfolar o próximo.

 

A maioria, trancada em pânico nos seus camarins, toma calmante com um bocado de gin.

 

Lá fora, no Brejo da Cruz, desfila a estarrecedora banda de napoleões cretinos, todos de marcha-ré em permanente ode aos ratos e às tenebrosas transações.

 

Nas horas vagas, apedreja-se a mais recente Geni.
Chico dá esperança

 

Mesmo com todo o problema, todo o sistema, ele inventa um outro país - e a gente vai levando.

 

É só uma página infeliz da nossa história.”

 

Poucos sabem que Chico Buarque viveu, por algum tempo, em Cachoeiro de Itapemirim.

 

Seu pai foi Promotor de Justiça e atuou, por algum tempo, na Comarca de Cachoeiro.

 

Consta que, no processo do qual resultou a aposentadoria compulsória de Vinicius de Moraes, foi escrito, como conclusão:

“Vá trabalhar, vagabundo”.

 

Chico Buarque, valendo-se do episódio, aproveitou a frase, que transformou em verso, numa de suas mais inspiradas composições. 

 
 

 

 

 
 
     
 

 
 
     
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