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  A FANTASIA NA HORA DO SOL  
  Publicado em 26 de Julho de 2020  
 
   
 
 
 
A FANTASIA NA HORA DO SOL

Por Juarez Alvarenga,

 

                      A noite começa perder sua escuridão. O pescador abre os olhos  enxergando ao seu redor, uma profissão de desafios. Levanta, sem muita arma, mas com muita coragem.

 

                      Lutar para sobreviver é o seu lema. Viver é apenas uma fábrica de matéria prima produzida na sua pura, inocente e inteligente mente.

 

                      O sol agora aparece e a escuridão tímida se escondeu, para mais tarde voltar a expor.

 

                      O pescador de pés descalço, camisa aberta, vai até o barco e enfrenta, por mais uma vez, o tenebroso mar. Joga as redes e as esperanças. Pega desilusões e fantasias. Insiste e nada consegue. De volta a praia começa então a pensar em coisas que nunca havia pensado antes.

 

                      Enquanto as enzimas destroem o restante do pão da manhã, ele catalisa na sua rica mente, fantasias e interrogações provocadas pela própria realidade.

 

                      Começa a olhar na superfície do oceano e fazer perguntas a si mesmo. Por que neste monstruoso mar existe tantos peixes e eu volto de barco vazio? Por que o homem dividiu o mar e os peixes não obedecem as limitações desta divisão? Por que estes mesmos peixes não ficam na superfície, pois assim seria muito mais fácil pegá-los?

 

                      Chegou em terra firme e deixou dentro do mar os pensamentos. As crianças o rodeiam e reclamam dos peixes que não vieram. Sua mulher lamenta mais um dia de podridão.

 

                      E, novamente, a escuridão que havia acovardado, agigantou e apareceu. O pescador cansado dorme como se estivesse morto. Mas, o galo anuncia que a claridade está de volta.

 

                      Agora as coisas mudaram. As redes estão cheias de peixes e soluções. E o velho pescador tornou-se novo. Ao encontrar com sua mulher foi logo dizendo: esta vida só se consegue quando parte. Porém é partindo que conseguimos voltar. É conhecendo o começo que atingimos o fim. É chegando no fim que retornamos no princípio. É sonhando na hora do sol que chegamos na novela das seis vitoriosos.

 

                      O importante é  sabermos que somos possuidores de uma dupla personalidade como a do pescador. Que enfrenta o sol para brincar com a lua. Que procuramos os peixes, para sobreviver, mas só realizamos na fantasia.

 

                      O melhor nós termos uma única personalidade. A do sol (realidade) nos é vestida. A da lua (fantasia) é totalmente despida. A primeira nos é imposta a segunda nos é desejada.

                      Ainda bem que existe um final de semana, para tirarmos a roupa que nos está incomodando e jogarmos nas madrugadas. Voltando a vestir somente na segunda-feira.

 

JUAREZ ALVARENGA

ESCRITOR EM COQUEIRAL

R:ANTONIO  B. FIGUEREIDO,29

COQUEIRAL     MG

CEP:37235000

FONE: 35 91769329

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