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  Os três anéis.  
  Publicado em 12 de Agosto de 2022  
 
   
 
 
 
Os três anéis.

Por Paulo Hayashi Jr.,

 

Considerado como um dos principais críticos literários do século XVIII, Gotthold Ephraim Lessing era também um escritor polivalente desde obras filosóficas, teológicas até fábulas, poesias e peças de teatro. Uma de suas marcas era a tolerância mesmo em situações complexas que a vida nos impõe. É o caso da peça "Nathan, o sábio". Nesta obra, ao invés de destacar as ideias fixas devido às instituições religiosas já consolidadas, Lessing expõe que, muitas vezes, o essencial são as ações pessoais, o estilo de vida, o jeito de ser. Um dos pontos centrais da peça é a fábula dos três anéis. 

 

Um pai que amava demais seus três filhos recusou de escolher um único rebento amado para premiá-lo com um anel possuidor de poderes mágicos da perfeição. Assim, para contornar o problema, ele pediu para um exímio ourives fazer duas réplicas idênticas do objeto e misturou todos para ninguém saber qual era o original. Distribuiu um anel para cada filho e estes ficaram inquietos inicialmente com a situação. Olhando por fora, não era possível distinguir o verdadeiro. A solução encontrada foi levar em consideração o comportamento assumido por cada um. 

 

Todos eles começaram a se esforçar para praticar o bem, as ações nobres e a provar para si e para os outros que era o detentor do legítimo tesouro. Assim, mais do que objetos externos milagrosos, o esforço para o aprimoramento pessoal, a renovação íntima, a vontade de melhorar-se. Ou como diria mais tarde Tolstói: "o reino de Deus está dentro de vós".

 

Paulo Hayashi Jr. - Doutor em Administração pela UFRGS. Professor e pesquisador da Unicamp. 

 
 

 

 

 
 
     
 

 
 
     
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