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  Inácio de Antioquia  
  Publicado em 17 de Outubro de 2022  
 
   
 
 
 
Inácio de Antioquia

Por Mario Eugenio Saturno, 

 

Jesus Cristo amealhou uma grande quantidade de discípulos (do grego mathetais, aprendiz), faz uma catequese densa e reveladora que afasta os que seguiam encantados pelos milagres, pelas emoções (patetais? de pathein, donde patético), sobraram os apóstolos (de apostolai, enviar) que após a ressurreição de Jesus e envio do Espírito Santo, iniciam seu culto divergente judaico, com o batismo e a eucaristia, chamada de Igreja Neotestamentária.

 

Essa primeira etapa da história da Igreja aconteceu de 33 a 313, a promulgação do Edito de Milão, por Constantino e Licínio. Esse período é marcado pelo crescimento muito rápido, espalhando-se pelo Império Romano em vinte anos. Período marcado pela pouca organização e divergência de doutrina, só resolvidas em 325 em Niceia.

 

O primeiro grande Padre foi Inácio, nasceu em Antioquia em 35 e morreu martirizado em 107 em Roma. Santo Inácio de Antioquia assemelha-se aos Apóstolos pelo conteúdo de sua mensagem (testemunho), pela forma de seus escritos (cartas) e pelo estilo bíblico.

 

Jerônimo escreveu em seu livro Viris Illustribus (Homens Ilustres): Inácio, terceiro bispo, depois do Apóstolo Pedro, da Igreja de Antioquia, foi enviado preso a Roma, condenado às feras durante a perseguição movida por Trajano. Chegando por mar a Esmirna, onde Policarpo, que foi discípulo de João, era bispo, escreveu cartas aos efésios, magnésios, tralianos e aos Romanos. Depois (em Trôade), aos filadélfios, esmirnenses e, em particular, a Policarpo, recomendando-lhe a Igreja de Antioquia.

 

Eusébio de Cesareia, historiador do IV século, dedica um capítulo da sua História Eclesiástica à vida e à obra literária de Inácio: da Síria, Inácio foi enviado a Roma para ser lançado às feras, por causa do testemunho. Nas várias cidades por onde passava, com pregações e admoestações, ia consolidando as Igrejas, exortava fervorosamente a evitar as heresias e recomendava que não se separassem da tradição apostólica.

 

E assim vós, um por um, tornais-vos coro, para que na sinfonia da concórdia, depois de ter tomado o trono de Deus na unidade, canteis a uma só voz" (4, 1-2). E recomendado aos Esmirnenses que "nada empreendessem do que diz respeito à Igreja sem o bispo" (8, 1). Diz a Policarpo: "Eu ofereço a minha vida por aqueles que são submetidos ao bispo, aos presbíteros e aos diáconos. Trabalhai juntos uns para os outros, lutai juntos, correi juntos, sofrei juntos, dormi e vigiai juntos como administradores de Deus, seus assessores e servos. Que nenhum de vós seja desertor.

 

Inácio, o primeiro na literatura cristã atribui à Igreja o adjetivo "católica", do grego para todos ou universal (Aos Esmirnenses 8,2). E precisamente no serviço de unidade, a comunidade cristã "em Roma, ela preside digna de Deus,venerável, digna de ser chamada beata", "preside à caridade, que tem a lei de Cristo e o nome de Pai" (Aos Romanos, Prólogo). Como se vê, Inácio é verdadeiramente o "doutor da unidade". Nenhum padre da Igreja expressou com a intensidade de Inácio o anseio pela união com Cristo e pela vida n'Ele (Papa Bento XVI).

 

Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

 

 
 

 

 

 
 
     
 

 
 
     
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