Por Renato Benvindo Frata,
Longe de contestar o Google ao definir o amor como “sentimento intenso de afeição, carinho e dedicação que motiva o desejo de bem-estar de outra pessoa ou coisa”. E complementa: “...Envolve emoções como intimidade e paixão, mas também é uma escolha de proteção, cuidado e compromisso.”
Falou tudo, mas de maneira complicada. Acho que o amor é mais simples. Ele pode surgir dos cinco sentidos sensoriais, e a isso se dá o nome simples de “selo biológico”. Nasce muitas vezes sem que o percebamos. E, quando nos damos conta, pimba! Estamos apaixonados.
Às vezes o amor entra em nossa vida pelo perfume, ao escorrer para dentro do nariz por força da respiração. O cheiro transforma o olfato em fenômeno intenso, que provoca atração inexplicável e que nos empurra à conexão.
Um perfume excelente é algo irresistível!
A mesma sensação acontece pelo som, de onde vibrações se transformam em vozes e melodias, e tendem “sintonizar” um vínculo afetivo, mesmo antes do toque físico.
Há melodia que, ao nos envolver, arrasta-nos...
Os sentidos são tão magníficos que o amor pode também surgir por meio do paladar — o amor gustativo, dá vida à poderosa conexão formada pelos sabores que se ligam aos aromas e, claro, pelo ato de compartilhar os alimentos.
Para dizer que uma mesa bem-posta nos convida a “encostar... e a nos deliciar”.
Há quem diga que “o amor nasce pelos olhos", o que sugere que, por meio deles, brota a atração visual; e essa se traveste na imediata paixão. De Eros e Psiquê — desejo e alma — seguem sendo antigos intérpretes desse mistério de olhar a simbolizar desejo, amor romântico e físico, ligados à alma humana. Ambos, em diferentes perspectivas a oferecer caminhos para o belo sentimento chamado amor.
Porém, o quinto elemento sensorial, chamado sentido do tato, é a forma do contato físico e necessário de conexão. Ele representa o cuidado, a segurança e a presença desejada pelos amantes.
Ao comparar esses cinco sentidos, tem-se que os quatro primeiros se localizam na região da cabeça, mas o tato, (esse safadinho) se encontra espalhado pelo corpo inteiro. Da cabeça aos pés, contato, aliás, que tem a finalidade de produzir um certo tipo de “choque” a revitaliza os nervos, com direito a arrepios... a despeito de qualquer verbalização. Só risos entrecortados, sussurros mastigados, assopros espontâneos e batidas aceleradas... de coração.
Mas ouso dizer que há ainda um quase sexto sentido. Esse é chamado de umami, definido como um quinto gosto básico do paladar, depois do doce, salgado, amargo e azedo. É um gosto delicioso, que deixa, digamos, saudade.
A sensação aveludada do umami é de sabor duradouro que incita à salivação, e é evocado a quem, mais que satisfeito, pede por “bis” no amor. Para deixar entre ambos o sabor de “quero mais”. ...