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  MPF ajuíza ação por danos ambientais contra administração portuária e empreiteira no Paraná  
  Publicado em 10 de Julho de 2026  
 
   
 
 
 
MPF ajuíza ação por danos ambientais contra administração portuária e empreiteira no Paraná

Da Assessoria - Dragagem irregular teria comprometido o ecossistema e afetado comunidades que dependem da pesca artesanal na região



O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública contra a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) e a DTA Engenharia por danos ambientais na Baía de Paranaguá (PR). O órgão pede o bloqueio imediato de bens das rés e sua condenação ao pagamento mínimo de R$ 21,4 milhões para reparação dos danos ambientais, incluindo a recuperação da área degradada.



As irregularidades ocorreram durante as obras de aprofundamento do canal de acesso ao porto. Segundo as investigações, as dragas operaram por tempo superior ao autorizado e fora dos locais previstos na licença ambiental emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).



Esta não é a primeira vez que as rés respondem judicialmente por irregularidades relacionadas ao uso das dragas na Baía de Paranaguá. A Appa e a DTA já são rés em outro processo por danos ambientais decorrentes do uso excessivo do sistema de descarte de sedimentos em 2016. Para o órgão, a repetição da conduta reforça a necessidade de responsabilização e de adoção de medidas capazes de prevenir novos danos.



Impactos socioambientais - De acordo com a ação, a operação das dragas em desacordo com a licença ambiental alterou a dinâmica natural da baía e aumentou a concentração de sedimentos em suspensão na água, afetando áreas de manguezal, bancos de lama e ambientes utilizados para alimentação, reprodução e desenvolvimento de diversas espécies aquáticas.



O desequilíbrio foi causado pelo uso excessivo e descontrolado da técnica conhecida como overflow. Esse método consiste em dragar água e sedimentos do fundo da baía até que os tanques da embarcação atinjam sua capacidade e passem a transbordar. Quando realizada fora dos limites permitidos, a manobra cria imensas manchas de lama que flutuam na água e se depositam na orla.



Segundo relatórios técnicos, a liberação irregular de sedimentos ocorreu 487 vezes ao longo de dez meses, comprometendo o ecossistema da baía. O MPF sustenta que os impactos das irregularidades ultrapassam os danos ambientais e também atingem comunidades tradicionais de Paranaguá, Antonina, Guaraqueçaba e Pontal do Paraná, que dependem da conservação da baía para trabalhar e garantir sua subsistência.



De acordo com pescadores, houve mudanças profundas na atividade pesqueira. Um deles afirma que, antes da intensificação das dragagens, havia abundância de peixes, siris e camarões na baía. Hoje, “para pegar um quilo de peixe, às vezes é preciso passar uma noite inteira pescando”. Outro pescador enfatiza que as dragagens ocorrem a menos de um quilômetro das áreas de pesca e a movimentação frequente do fundo da baía reduz a oferta de alimento para os peixes. Com isso, muitas espécies deixam a região, o que dificulta a sobrevivência da pesca artesanal.

Leia a íntegra.


 

 
 

 

 

 
 
     
 

 
 
     
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