Via redes sociais - Deputada argentina, Marcela Marina Pagano, faz carta a Lula com pedidos de desculpas, pelas ofensas feitas ao Brasil pelo presidente argentino, Javier Milei.
A carta é extensa; é também uma obra literária histórica que merece figurar nos livros de ambos os países, é um guia civilizatório, porque expressa a importância da relação multilateral entre Brasil e Argentina, muito além do episódio trágico protagonizado pelo presidente argentino.
A PODER DAS PALAVRAS
Na carta, numa linguagem contundente, objetiva e factual, a deputada argentina consegue expressar profundo realismo descritivo, sobre a relação objetiva entre às duas nações sul-americanas entre séculos que originaram nossas fronteiras e povos.
Ler à carta da deputada, Marcela Marina Pagano, é uma aula de pragmatismo diplomático, de responsabilidade com nossos povos, de sensibilidade humana, de história política, de sobre as invasões dos nossos territórios ancestrais por potências européias, e enfim, a carta merece ser linda com esmero e atenção, porque é didática, válida e emocionante.
A SEGUIR, UM TRECHO DO QUE DIZ À DEPUTADA, NA CARTA DE DESCULPAS AO PRESIDENTE LULA E AO BRASIL:
"Permita-me começar pelo essencial. Um Estado não é um governo, e um governo não é um homem. As nações são entidades históricas: duram mais que os mandatos, mais que as conjunturas e, certamente, mais que os destemperos.
O que foi dito não representa a República Argentina. Não representa a sua tradição diplomática, uma das mais antigas e respeitadas do continente. Não representa a sua Chancelaria, seu Congresso, suas províncias de fronteira, seus industriais, suas universidades nem às suas famílias. Representa um homem em um determinado momento. É lamentável — digo isso sem rodeios — o papel institucional que o Presidente da Nação Argentina desempenhou nesse episódio, porque a investidura não é propriedade de quem a exerce: é um empréstimo que o povo faz e que exige moderação.
Mas também sei, Senhor Presidente, que o senhor conhece essa distinção melhor do que ninguém. O senhor foi operário antes de ser presidente; conheceu a fome antes dos palácios; conheceu a prisão e dela saiu sem rancor para governar para todos. Percorreu o mundo e a história em medida suficiente para não confundir uma ofensa pessoal com uma política de Estado."
E disse Chico Buarque: "Apesar de você amanhã há de ser, outro dia, ainda pago pra ver, o jardim florescer o qual você não queria"